Programa de Desenvolvimento da Alimentação, Confeitaria e Panificação
Home Quem Somos Projetos Contato
Indicadores Publicações Técnicas Notícias Eventos
Série Cases de Sucesso Metodologia Propan: Família Gonçalves Bastos, um reconhecimento a quem construiu um legado de lutas e conquistas pela panificação no Estado de Minas Gerais e apoiou o desenvolvimento da Metodologia Propan - Parte I
NOTÍCIAS VOLTAR
Série Cases de Sucesso Metodologia Propan: Família Gonçalves Bastos, um reconhecimento a quem construiu um legado de lutas e conquistas pela panificação no Estado de Minas Gerais e apoiou o desenvolvimento da Metodologia Propan - Parte I
Conheça a história de uma das famílias mais atuantes no segmento junto ao Sebrae e ao sindicato mineiro e que tornou-se também a fundadora das empresas Belopães, Bagueteria Francesa e Casa Sol
por Elisangela Santos
03/06/2019

    Por gerações um nome se confunde ao da panificação em Minas e representa toda uma história de lutas, trabalhos e vitórias pelo setor. Vinda de Confins, a família Gonçalves Bastos chegou a Belo Horizonte quando o precursor, Sr. Moacir, decidiu vir para a capital e, com o tempo, trazer os irmãos também. Como engajado líder sindical da época, ele iniciou os irmãos no ofício da padaria e, logo montou em sociedade uma padaria com o Sr. Zequita, como é conhecido o pai do Sr. Edson Gonçalves de Sales, que no Estado exerceu os cargos de presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Amipão), presidente da Associação Brasileira da Indústria a Panificação e Confeitaria (ABIP) e diretor superintendente do Sebrae/MG.

    Com o passar do tempo, o Sr. Zequita teve a oportunidade de abrir uma padaria no bairro Barroca e foi lá onde ensinou ao filho ainda criança, Sr. Edson, os princípios que o levariam a empreender e, com o forte apoio da esposa Ana Lúcia, fundar a Belopães, a Bagueteria Francesa e também a Casa Sol. “Edinho, a padaria tem que vender um barão a mais do que ontem” era o que ele dizia. E quem conta essa história é Alexandre Bastos, filho do Sr. Edson e quem hoje atua na gestão das empresas, conforme o processo da sucessão familiar.

   Nasce a Belopães, a estrela da Santos Dumont que ainda preserva em BH a preciosidade dos “padeiros raiz”

    Irmão mais velho do Sr. Edson e um empreendedor nato, Hélio Sales decide criar na década de 1970 a Cinelândia, uma potência em vendas de pães sovados e de forma em toda Minas Gerais, atrás apenas da Seven Boys. Funcionando no bairro Nova Suiça, o negócio familiar foi vendido e, como pagamento dos sócios, o Sr. Edson recebe a empresa que é hoje a Belopães. “Desde o início, meu pai trouxe a tia Hermínia Alves Teixeira, uma guerreira no comando da padaria, o Valdir Comandante, que está com a gente na loja há 40 anos como gerente e, de forma simples, em uma loja pequena, implantou a cultura de balcão, algo que aprendeu desde criança com o vovô”, conta Alexandre.

   Começando com aproximadamente dez funcionários, a empresa viveu um boom de crescimento nos primeiros 20 anos, sua época de ouro com uma avenida cheia de pontos de ônibus. “Desde seu inicio, a Belopães tem a cultura de atendimento que meu pai aprendeu desde a infância como o Sr. Zequita, meu avô. Hoje, a Associação e a panificação se confundem com a minha família. Meu pai pegou a veia de líder sindical, e é nesse meio que ele se encontra com Márcio Rodrigues, Domingos Costa, do Moinho Vilma, e começa ali uma parceria, as coisas vão dando certo e se cria o Propan”, relembra Alexandre.

   “A gente vê o Márcio, a energia dele dedicada a mudar o setor, isso é o que eu vejo em homens como ele, Vinicius Dantas e outros que a gente vê como referência. É a entrega. Isso começa com o trigo, depois eles saem e montam um programa com o único objetivo de ajudar as padarias a crescer, para que melhorem o atendimento e seus serviços e façam o melhor”.

“Está com dor de dente? Sorria para o cliente”. Por dentro da cultura Belopães de atendimento

    Pães feitos como há 40 anos, esta é, sem dúvida, uma das maiores riquezas da Belopães. Com 90% do mix sendo de produtos panificados e sem nenhuma pré-mistura, a padaria segue com as receitas da dona Hermínia, que não abre mão do jeito tradicional do ofício. O pão doce, por exemplo, segue trazendo a receita enriquecida com ovo, e a equipe foi preservada ao longo do tempo. “Dois dos nossos mestres padeiros aprenderam com meu avô e estão aqui até hoje, é o que chamamos de padeiro de raiz, não é de pré-mistura”, conta Alexandre.

    A empresa, que começou com uma pequena loja à frente, foi adquirindo mais espaço e, há 20 anos, teve a sua última grande reforma. Pioneira, de acordo com Alexandre, foi praticamente a primeira a implantar a modalidade do autosserviço na capital. Hoje, com 60 funcionários, segue valorizando seus clientes internos, que para Alexandre são a base de tudo: “Se não recebermos nossos funcionários assim como nossos clientes, tudo é uma mentira”, afirma. Ainda segundo ele, há uma diretriz da Metodologia Propan que continua presente: o investimento na equipe:

    “Capacitamos os funcionários baseados na cultura do Márcio, que é a base disso, temos um treinamento interno próprio; Depois de 2 anos de trabalho conseguimos colocar o treinamento da loja no papel, e temos as nossas apostilas Belopães e o nosso curso de excelência”, conta ele.

    Desde 2018 a Belopães iniciou seu trabalho de sucessão, que tem como previsão o prazo de 10 anos para acontecer. E foi exatamente nesse ponto que surgiu um pedido simples de quem dedicou uma vida à padaria que acreditou e ajudou a construir desde o inicio: “O meu combinado com a dona Hermínia, que é sócia efetiva hoje, quando voltei para cá, é ‘nunca venda a minha Belopães’, foi o que ela disse”, revela Alexandre, que hoje já tem o desafio de preparar a próxima geração. “A Belopães é uma padaria de 40 anos iniciando uma sucessão para a segunda geração, que é a minha”, conclui.

Mudanças no trânsito de BH, reformulação de circulação e “cadê mesmo os clientes que estavam aqui”? Só quem tem raiz encontra o caminho da superação

    Santos Dumont, uma avenida histórica de BH que, com o tempo, viveu mudanças que impactaram diretamente a vida daqueles que abrigou em seus quarteirões. De início, cheia de pontos de ônibus, era responsável por grande parte da cartela de clientes de várias empresas e também da Belopães. Porém, por conta de uma reforma da BHTrans (órgão que administra o trânsito da capital mineira), que realizou uma brusca reestruturação com o desvio do tráfego e a reformulação da circulação, passou uma grande queda do fluxo. “Vimos todos os pontos de ônibus irem embora da noite para o dia, e ficamos com uma avenida fechada para reforma durante muito tempo. A padaria passou de um desmanche de 40 sacos de farinha por dia para um total de 8, e conseguiu se reerguer pelo fato de não ter dívidas”, declara Alexandre, que já identifica o aumento do público na região com os novos clientes que chegam ao entorno da praça da Estação.

Fermentação natural com estilo europeu: uma legítima Bagueteria Francesa no Centro de BH

    Lojas pequenas, com pães de fermentação longa e processo artesanal. Quem diria, há alguns anos, que este conceito tão distante da realidade das padarias atuais poderia ser possível no Brasil? Pois é, alguém disse e, mais que isso, fez. Há quatro anos, importando todo um maquinário francês, o Sr. Edson Gonçalves de Sales inaugurava a Bagueteria Francesa, o que para muitos pareceu uma loucura. “Com capital próprio, sem pegar nenhum dinheiro para investimento, pagando 100% de imposto de importação, meu pai lançou todos os esforços para fazer baguete francesa com fermentação longa para vender a preço de produção. A mensagem dele era: eu quero democratizar a baguete. Ela abre as portas, então, sem plano de marketing, sem divulgação nem redes sociais. A viabilidade fica por conta da dona Hermínia. Ele tem a ideia, ele compra, ele faz, ele muda, e ela faz acontecer. Uma parceria que deu muito certo”, declara Alexandre.

    Com apenas oito funcionários, é a tendência de lojas menores, onde não tem revenda, nem leite, nem café. “É pão, uma empresa que só vende pão. E tudo mérito dele. É um conceito de loja imaginado por ele. Assim como tudo na vida, ele sempre imaginou e fez, essa é a marca dele, de empreender do zero e por instinto, por querer fazer algo que fique”, prossegue Alexandre, que revela o desejo do pai de que as pessoas que passassem pelo Centro e no entorno da Praça da Estação tivessem acesso a um pão de fermentação natural a preço do pão de sal. “Para ele, é a democratização da baguete. Isso a gente deve a ele pela visão de mercado e empreendedorismo. Meu pai faz, a gente fica pensando para fazer”.

Daqui para os próximos 40 anos: planos futuros de quem se orgulha do passado e trabalhar duro no presente

    De acordo com Alexandre, hoje a Bagueteria tem dois sócios, sendo a esposa Débora e também Aldrin Gandra, marido de sua irmã, Rita de Cássia Gonçalves. “Eles tocam o negócio e tem a missão de expandir aqui em BH, a Bagueteria é um processo de franquia. Queremos fazer uma boa sucessão e também empreender, levando o nome Belopães para outras localidades”. Quanto à gratificação de trabalhar no segmento, ele é convicto:

    “O maior ganho é a satisfação do cliente na loja, trabalhar em padaria é desgastante, é cansativo. A Belopães fecha aos domingos, mas há outras que não fecham. Quem trabalha com panificação abdica da família, do lazer. O padeiro se doa para entregar um produto de qualidade. Todo padeiro busca isso, ele acorda pensando nisso. Esse tempo, essa história é a maior premiação hoje”.

   Com tom emocionado, ele fala sobre o homem responsável por grande parte do desenvolvimento e defesa da panificação em Minas: “Defino a história do meu pai como superação total, cresci ouvindo ele dizer que nas horas difíceis é que o homem tem que falar grosso”.  Hoje, com 75 anos, o Sr. Edson segue como inspiração para os filhos, para as novas gerações e também para os panificadores do estado. Com a sensação de dever cumprido, ele provou mesmo que o crescimento é colhido de grão em grão ou, como diria Seu Zequita, de barão em barão.

    E na próxima semana, na continuação do Case de Sucesso sobre o legado da família Gonçalves Bastos para a panificação mineira, conheça a história da Casa Sol, uma das maiores produtoras de sacarias de papel para o segmento em todo o Brasil.

 
 
 
CLIPPING DAPANIFICAÇÃO
BRASILEIRA
Acompanhe semanalmente o compilado de notícias sobre o setor de panificação e confeitaria
NEWSLETTER PANIFICAÇÃO EM REDE
Acompanhe as últimas novidades do convênio ABIP/ITPC/SEBRAE
 
 
CONTATO
ESCRITÓRIO CENTRAL BELO HORIZONTE
Rua Espírito santo, 1204 - 10º andar - centro 30160-031 - Belo Horizonte/MG
(31)2101-9999
propan@propan.com.br
RECEBA NOSSA NEWSLETTER
 ASSINE